Se o relato da televisão estatal do Irã se confirmar, a quinta-feira terá sido o dia isolado com mais danos a embarcações no Estreito de Ormuz desde que a guerra com o Irã começou, em 28 de fevereiro. Essa comparação, publicada pela WRAL a partir de material da Associated Press, explica por que um relato sobre navegação levou o petróleo, os futuros de ações e as ações asiáticas de chips na mesma direção antes que o pregão europeu completasse uma hora.
O relato não foi verificado de forma independente. Nenhuma das coberturas que consultei identifica as sete embarcações, seus proprietários, sua carga ou eventuais vítimas.
Números principais
- $112,27 o petróleo Brent na quinta-feira, 3,2% mais alto e no topo da faixa de $97 a $112 em que tem sido negociado nos últimos dias
- $99,80 o petróleo de referência dos EUA, alta de 2,8% na mesma sessão
- 7 petroleiros descritos como em chamas e danificados no relato da televisão estatal iraniana
- 2,7% a queda do Nikkei 225, de Tóquio, que fechou em 62.907,84
O petróleo reagiu primeiro, as ações vieram depois
O petróleo foi o primeiro mercado a reagir, com as duas referências em alta de mais de 2%. Em seguida, as bolsas recuaram na direção oposta.
No início dos negócios na Europa, o DAX, da Alemanha, caía 1,1%, a 25.367,96, e o CAC 40, da França, recuava 1,3%, a 7.816,67. O FTSE 100, de Londres, perdia 0,7%, a 10.678,67. Os futuros apontavam no mesmo sentido, com o contrato do S&P 500 em queda de 1% e o do Dow Jones Industrial Average em baixa de 0,7%.
Em termos simples: o Estreito de Ormuz é a estreita passagem marítima que os petroleiros usam para levar petróleo para fora do Golfo. Quando navios são danificados ali, os compradores temem que menos cargas consigam passar e, por isso, pagam mais pelos barris que já estão no mar. Custos de combustível mais altos pesam então sobre as empresas que o consomem ou que transportam mercadorias com ele, e é assim que um relato sobre navegação chega ao preço das ações.
Ações de chips lideraram as vendas na Ásia
A queda de 2,7% do Nikkei 225 veio acompanhada de fortes vendas em grandes nomes de tecnologia: o SoftBank Group caiu 6,9%, a fabricante de equipamentos Tokyo Electron 7% e a especialista em testes Advantest 6%.
A Coreia do Sul caiu ainda mais. O Kospi perdeu 3,5%, a 5.533,77, com a Samsung Electronics em queda de 4% e a SK Hynix em baixa de 5,5%. O Hang Seng, de Hong Kong, recuou 3%, a 22.934,68, e o Shanghai Composite 1,5%, a 3.658,03. O Taiex, de Taiwan, perdeu 1,8%, e o S&P/ASX 200, da Austrália, foi o que melhor resistiu, com recuo de 0,4%, a 8.793,20.
O relato da AP atribui parte dessa pressão a uma preocupação distinta: a de que a construção de data centers possa desacelerar porque tomar dinheiro emprestado ficou mais caro.
Na quarta-feira, Wall Street tinha seguido o caminho oposto
O recuo reverteu uma sessão sólida nos EUA. Na quarta-feira, o S&P 500 subiu 0,6%, o Dow 0,7% e o Nasdaq composite 1,1%, impulsionados por resultados de empresas.
A SpaceX subiu 7,8% após divulgar lucro de verão acima do esperado pelos analistas, e Elon Musk disse que a empresa havia dado um passo rumo a considerar uma fusão com a Tesla, que ganhou 3,4%. A Capital One Financial subiu 2,5% e a Winnebago Industries 10,7%. A Netflix foi a exceção, com queda de 5,3% apesar do lucro acima das expectativas, já que os investidores se concentraram em sinais de que seu ritmo estava perdendo força.
As moedas se moveram menos. O dólar recuou para 157,22 ienes, ante 158,14 no fim da quarta-feira, e o euro caiu para $1,1231, ante $1,1233.