A alegação partiu do próprio Irã. A televisão estatal iraniana, citando a marinha do Corpo da Guarda Revolucionária, disse que os sete petroleiros foram atingidos pelo Irã ou por minas navais, e o mesmo relato repetiu a ameaça de atacar bases militares dos EUA na região caso os Estados Unidos continuem ajudando a guiar navios comerciais pelo estreito.
Não foram mencionadas vítimas. O United Kingdom Maritime Trade Operations, órgão de monitoramento militar britânico, não registrou os ataques, e monitores observaram nos últimos dias que algumas empresas de navegação relutam até mesmo em comunicar incidentes.
Números-chave
- 7 petroleiros relatados em chamas ou danificados durante a noite no Estreito de Ormuz, descritos pela 2News, citando a Associated Press, como um número acentuadamente alto para uma única noite
- 28 de fevereiro a data em que a guerra começou, com ataques dos EUA e de Israel ao Irã
- 3 porta-aviões dos EUA na região quando o mais recente chegar, além de milhares de soldados adicionais
O que está confirmado e o que não está
O relato de Teerã é o único relato. Nenhuma das reportagens que li informa os nomes dos navios, suas bandeiras, suas cargas ou a situação de suas tripulações, e nenhuma confirma os danos de forma independente.
O silêncio do órgão de monitoramento britânico não é um desmentido. É a ausência de um segundo relato, em uma via marítima onde, como os próprios monitores admitem, alguns incidentes não estão sendo comunicados.
O Irã ainda afirma controlar o estreito, e o Hereford Times descreve esse controle como um ponto central de pressão em quaisquer negociações com Washington sobre a guerra.
Por que uma única via marítima tem tanto peso
O estreito é a rota de saída do petróleo, do gás natural e de produtos relacionados, como fertilizantes, do Golfo. As reportagens afirmam que um retorno à guerra total colocaria em perigo civis em toda a região e complicaria essas entregas globais.
Em palavras simples: o Estreito de Ormuz é uma estreita passagem marítima que os petroleiros precisam atravessar para levar o petróleo e o gás do Golfo aos compradores. Quando embarcações são danificadas ali, os proprietários e suas seguradoras precisam avaliar se a travessia vale o risco, e cargas que não podem zarpar são cargas que não chegam às refinarias. Esse gargalo físico é o motivo pelo qual esse trecho de mar é acompanhado tão de perto por qualquer pessoa que negocie energia.
As reportagens não trazem níveis de preço do petróleo bruto, do gás ou do ouro para quinta-feira. Elas descrevem o incidente e a diplomacia em torno dele, não a reação do mercado.
As negociações por trás dos ataques
Abbas Araghchi, principal diplomata do Irã, disse na quarta-feira que Teerã continua aberto à diplomacia, mas está pronto para se defender. Mediadores vêm tentando trazer Washington e Teerã de volta a negociações formais.
O Irã ainda promove uma proposta que encerraria a guerra e abriria totalmente o estreito em uma semana se os Estados Unidos cumprissem várias condições, incluindo o fim do bloqueio americano aos portos iranianos. Essas condições lembram um acordo que desmoronou poucos dias depois de os dois lados o assinarem em junho.
O presidente Donald Trump rejeitou essa proposta de sete dias. Ambos os lados reconhecem que as conversas indiretas continuaram e, desde a rejeição, os ataques a navios que atravessam o estreito aumentaram.
Teerã também advertiu que aprendeu lições militares com a guerra e, nos últimos dias, indicou que poderia ampliar seus alvos para incluir infraestruturas como cabos submarinos e data centers.
O que acompanhar
- Nos próximos dias as eleições em Israel, nas quais o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu pode perder o poder
- No próximo mês as eleições de meio de mandato nos EUA, que as reportagens associam à irritação dos eleitores com os preços altos ligados à guerra
- Sem data qualquer declaração do United Kingdom Maritime Trade Operations sobre os incidentes da noite