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Boeing cai 10% após adiar metas de fluxo de caixa e objetivo de entregas do 737

As ações da Boeing caíram 10% na terça-feira, atingindo a mínima em 52 semanas, depois que a fabricante de aviões adiou em um ano suas metas plurianuais de fluxo de caixa livre e abandonou o objetivo de entregar 500 737 em 2026. A receita do terceiro trimestre subiu 4%, para $24,19 bilhões.

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Um jato de passageiros branco e simples, de frente para a câmera em uma pista, enquanto um grande sol laranja se põe atrás dele.
Ilustração gerada por IA.

O gargalo são as asas. A Boeing ainda tenta manter estável a produção do 737 em 47 jatos por mês, e o CEO Kelly Ortberg afirmou na teleconferência de resultados de terça-feira que a produção de asas precisa se recuperar antes que o programa possa avançar.

Essa única restrição atravessa o restante do trimestre. Ortberg situou o aumento para 52 jatos por mês no segundo semestre de 2027, e a empresa disse que ficará abaixo de sua meta de entregar 500 737 em 2026. Os resultados efetivos do trimestre não foram o problema; a projeção de fluxo de caixa para três anos foi.

Principais números

  • 10% de queda nas ações da Boeing na terça-feira, o pior dia desde a onda de vendas provocada pelas tarifas em abril de 2025 e uma nova mínima em 52 semanas, segundo a CNBC
  • $24,19 bilhões de receita no terceiro trimestre, alta de 4% na comparação anual e acima do consenso de $23,84 bilhões compilado pela LSEG
  • 34 centavos de prejuízo ajustado por ação, maior que o prejuízo de 21 centavos no consenso da LSEG
  • $745 bilhões de carteira de pedidos no fim do trimestre, um recorde da empresa

A escala do fluxo de caixa foi adiada em um ano

O fluxo de caixa livre é o número pelo qual a Boeing é avaliada enquanto trabalha para voltar à lucratividade em termos de lucro líquido. No trimestre de julho a setembro, ele ficou em $464 milhões, acima do consenso de $330 milhões compilado pela FactSet e pelo segundo trimestre consecutivo acima das expectativas, informou o Investing Club da CNBC. A empresa também manteve sua cifra de $2 bilhões de fluxo de caixa livre para 2026.

A projeção para os anos seguintes é o que mexeu com a ação. Na teleconferência, Ortberg apresentou $3 bilhões de fluxo de caixa livre para 2027, $6 bilhões para 2028 e a meta anual de $10 bilhões da empresa em 2029. Os números de consenso da FactSet para esses anos eram $5,7 bilhões, $9,6 bilhões e $12,9 bilhões. Em resumo, a Boeing situou sua meta de $10 bilhões um ano depois do que Wall Street havia projetado, com os investimentos de capital de 2027 no contrato do caça de próxima geração da Marinha, conquistado em setembro, segurando aquele ano.

Em palavras simples: o fluxo de caixa livre é o fluxo de caixa operacional menos o que uma empresa gasta com fábricas, ferramental e equipamentos. É o caixa que sobra e que pode pagar dívidas ou chegar aos acionistas. Quando um fabricante não consegue elevar a produção no prazo, esse caixa chega mais tarde, e é por isso que um atraso nas entregas vira manchete financeira.

A carteira de pedidos foi o outro lado do trimestre

A Boeing encerrou o trimestre com uma carteira de pedidos recorde de $745 bilhões, incluindo $612 bilhões e mais de 6.300 aviões em aeronaves comerciais, após 300 pedidos líquidos no trimestre. A divisão de Defesa, Espaço e Segurança registrou $23 bilhões em pedidos e terminou com uma carteira recorde de $101 bilhões, que não inclui o contrato do caça F/A-XX da Marinha. A Global Services recebeu $5 bilhões em pedidos e terminou com uma carteira de $33 bilhões, e o CFO Jay Malave disse que tanto seus negócios comerciais quanto os governamentais apresentaram margens de dois dígitos no trimestre.

Ortberg disse que a Boeing não observou nenhuma mudança na demanda dos clientes, apesar de o conflito no Oriente Médio ter elevado os preços do querosene de aviação, e argumentou que o combustível mais caro torna mais atraentes jatos mais eficientes, como o 737 Max 10, à medida que aeronaves mais antigas são aposentadas. Ele acrescentou que as companhias aéreas vêm, em grande parte, repassando os custos maiores de combustível para os preços das passagens. As duas últimas variantes do 737 Max já estão certificadas pela Federal Aviation Administration: o Max 7 em agosto e o Max 10 na semana passada.

As reportagens que li concordam sobre a causa da queda de terça-feira. O MarketWatch a apresentou como o déficit de entregas lançando dúvidas sobre o plano de recuperação; a CNBC, como a revisão plurianual do fluxo de caixa. Ambas apontam para a mesma conta de produção.

O que acompanhar

  • Antes do fim de 2026: o início planejado pela Boeing do aumento de produção do 787 Dreamliner de oito para 10 por mês, conforme o cronograma divulgado pela empresa
  • 2027: a certificação do 777-9 pela FAA e o início de suas entregas, que a Boeing ainda situa no próximo ano
  • Segundo semestre de 2027: o aumento da produção do 737 de 47 para 52 por mês, conforme descrito por Ortberg na teleconferência

Fontes 2

  1. 1CNBC Investing Clubcnbc.com
  2. 2MarketWatchmarketwatch.com